VOLTANDO À CENA...

A  opinião  de

Paul Lies

Junho de 2017 - Ano 17

 

A MARAVILHOSA COPA DA RÚSSIA

Foi-se a Copa. Depois de 32 dias de plena atenção ao futebol mundial recepcionado de forma esplêndida pela Russia, ficamos, mais uma vez, com saudades. A França pintou Moscou de azul, vermelho e branco como nem Napoleão havia conseguido. E mais: seus soldados foram agraciados com medalhas por Putin.

A França mereceu amplamente a conquista do título, candidata que aparecia dentre as maiores favoritas desde antes da competição. Dizem, e está confirmado, que um bom time começa pelo goleiro e termina na ponta esquerda. A França mostrou de tudo. Um excelente goleiro Loris, apesar do fiasco cometido diante de Mandzukic que resultou no segundo gol croata, dois eficientes alas marcadores e apoiadores, Pallard na direita e Hernandéz pela esquerda, um meio de campo muito bem estruturado com Pogba, Matuiti, Kanté e Griezmann e um ataque com uma peça avassaladora: Mbappé.

É um time que ainda não terminou de compor a sua história. Aguardemos 2022.

Ficaram para trás duas outras grandes seleções: a Bélgica, sem dúvidas a segunda força da Copa, e a valorosa Croácia, com seu jogo de conjunto e vontade de vencer inigualáveis. A Bélgica mostrou um futebol vistoso e ofensivo, com a arte de Hazard e de De Bruyne no meio de campo e a força de Lukaku no comando do ataque. Isso sem falarmos do goleiro da Copa, Curtois, uma barreira que os brasileiros conheceram bem. Modric, da Croácia, acabou levando o prêmio de melhor jogador da Copa, mas para mim a grande expressão, às vezes escondido, mas sempre fatal, foi De Bruyne. De Bruyne foi decisivo nos passes e nos gols marcados. A Bélgica tambem deve permanecer no topo das próximas conquistas.

É interessante notar que equipes européias que brilharam nas competições de base, principalmente nos torneios Sub-20 e Sub-17, nos últimos cinco anos, são aquelas que agora se tornam as maiores expressões do futebol mundial. Prestem atenção nas próximas gerações de futebolistas sérvios e espanhóis.

E o Brasil? Decepcionou, embora alguns ainda aplaudam a campanha e, principalmente, o técnico Tite. Qualidade temos de sobra, mas o que falta, mesmo, é a disciplina extra campo, motivadora de campanha. Os brasileiros foram à Russia pensando que o título viria automaticamente. Levaram mamães, esposas e namoradas para um tour internacional e desviaram a atenção do objetivo maior. Tite, assediado pela mídia, extrapolou sua capacidade de comando. Pensou ter o time nas mãos e o plantel necessário para a conquista do título. Nem um, nem outro. Quando precisou de alguem para substituir Casemiro, errou. Não tinha muitas alternativas, já que havia cometido alguns vícios de convocação. Quando precisou atacar depois do 2x0 da Bélgica, errou. Deixou de colocar Douglas Costa mais cedo, perdeu tempo e o jogo. Quando teve que escalar um lateral direito, errou. Só tinha um, produto de vício de convocação. E foi exatamente alí que a Bélgica promoveu o baile da desclassificação braisleira. Tite é um bom comandante, mas precisa trabalhar em silêncio, fora da mídia, e alargar seus conceitos sobre a necessidade de ter um plantel completo, sem favorecimentos a resercas de luxo. Quanto a Neymar, o futebol já há muito tempo virou assunto secundário. Não o convocaria para as próximas competições.

 

Paul Lies