VOLTANDO À CENA...

A  opinião  de

Paul Lies

10 de jjunho de 2014 - Ano 14

 

HORA DE COPA DO MUNDO

Chegamos a junho de 2014 e à Copa do Mundo do Brasil. Foram quatro anos de eliminatórias e de preparações para 32 seleções nacionais. Todas chegam com esperanças à Copa. Algumas de serem campeãs, outras apenas de fazerem uma boa campanha e crescerem no cenário internacional.

Vamos, nesta crônica, analisar as condições de cada seleção e, sem qualquer receio de errar, já que a competição é equilibrada e isso é perfeitamente possível, expressar nossa opinião sobre as chances de cada uma.

No Grupo A, onde está o Brasil, que sedia a competição sob um misto de apoio e protestos, há também a Croácia, o México e Camarões. Dificilmente o Brasil deixará de comandar esse grupo, a não ser que a impaciência de sua torcida venha a atrapalhar nos primeiros momentos, provocando um descontrole nos jogadores. O time brasileiro mostra uma dependência inadequada a seu principal astro, Neymar e os adversários sabem que marcá-lo com eficiência pode significar um fator de desequilíbrio na equipe. O Brasil carece de outros ídolos com poder de decisão, como tinha no passado, quando Pelé, Garrincha, Zico, Romário viam-se impossibilitados de decidir. Esse, talvez sja o fator principal da desconfiança de que o Brasil não se sustente até a decisão final no Rio de Janeiro. Quanto aos demais integrantes do Grupo A, a Croácia acaba levando uma pequena vantagem pela disciplina da equipe e seriedade na preparação. O México, empolgado por resultados anteriores contra o próprio Brasil, optou por uma logística totalmente incoerente, fixando sua sede provisória na cidade de Santos, com todos os jogos da primeira fase no Nordeste do País, obrigando a equipe a deslocamentos desnecessários e cansativos. Isso pesará fortemente contra o México. Camarões também chega ao Brasil com problemas disciplinares, aliás comuns em equipes africanas em finais de Copas. Camarões depende de Samuel Etoo e não acreditamos que êle seja suficiente, sòzinho, para mudar as expectativas sobre a equipe.

No Grupo B, logo de inicio um confronto de favoritos entre Espanha e Holanda definirá qual continuará a campanha sem traumas e a outra que sofrerá, em seguida, para garantir a classificação muito difícil, já que o Chile, teoricamente, se vencer a Austrália na estréia, o que parece de todo provável, jogará, depois, por dois empates para passar à segunda fase. Ou seja, o Chile entra de carona na briga e pode ser beneficiado por isso. Apesar da Espanha manter-se como a grande favorita, com a mesma estrutura técnica e tática da Copa de 2010, joga o Grupo B na mesma condição de Holanda e Chile. São duas vagas que poderão ser decididas no primeiro dos confrontos. A Austrália, sem chances, deve aproveitar o aprendizado.

O Grupo C é um bloco em que as defesas poderão significar um passo à frente e, nesse aspecto, a Grécia se destaca. O futebol grego já foi protagonista de uma conquista surpreendente em 2004, quando levantaram a Eurocopa, em Portugal, exatamente pela força de sua defesa. Obteve uma classificação meritória e terá pela frente seleções que, ao contrário, jogam mais abertas. A Colombia entra credenciada pela campanha dentre os sulamericanos e tem demonstrado uma equipe competitiva nas últimas apresentações. A Costa do Marfim tem uma seleção ofensiva, mas uma defesa que sofre muitos gols, enquanto o Japão, cuja evolução nas últimas duas décadas e inegável, chega com maior experiência e com jogadores de nível internacional. òdemos dizer, em termos de prognóstico, que Grécia e Colombia estão mais equilibradas para chegarem à segunda fase.

O Grupo D assemelha-se, quase que totalmente, ao Grupo B, com três equipes disputando as duas vagas para as oitavas e um primeiro jogo que poderá definir tudo. Caso o Uruguai vença a Costa Rica na primeira rodada, o que parece ser a aposta geral, jogara´depois por dois empates dainte de Itália e Inglaterra. E todos sabem que os uruguaios são mestres em segurar empates quando necessários. Itália e Inglaterra fazem praticamente um jogo de vida ou morte na pimeira rodada, mas, difentemente do equilíbrio maior no Grupo B, a Inglaterra não convenceu nos preparatórios, o que faz da Itália ligeiramente favorita no confronto, o que significa dizer que acreditamos na classificação da Itália e do Uruguai. A Costa Rica apenas agradece a oportunidade do aprendizado.

No Grupo E, a sensação das eliminatórias sulamericanas, o Equador, chega credenciado até pela crítica internacional. O Futebolão, todavia, ressalta que boa parte da satisfatória campanha qualificatória dos equatorianos deve ser atribuída ao fator altitude de Quito, de influência nula nesta fase final. A França, mesmo sem Ribery, e a Suiça, que vem conquistando posições e sucessos em competições européias, principalmente com suas equipes sub-21, são, a nosso ver, favoritas às oitavas de final. Não será surpresa se a Suiça tomar a ponta do Grupo, pois a França, mesmo com bons resultados preparatórios, não tem mostrado uma estrutura tática convincente. Honduras integra o grupo dos aprendizes.

Argentina apresenta-se no Grupo F como franca favorita. Todos aguardam para ver Messi e companhia. A fragilidade do Grupo favorece boas exibições e um início privilegiado de Copa. A Nigéria, tecnicamente, até poderia atrapalhar um pouco, mas voltamos à questão da disciplina interna para reduzir expectativas. O time tem bom toque de bola, sabe jogar, mas peca no comprometimento com o objetivo final. Bósnia e Irã poderão surpreeender, principalmente estes últimos, que chegam sob rigoroso esquema disciplinar e focados na disputa. Portanto, a segunda vaga, neste grupo, está aberta e o encontro iniclal entre Irã e Nigéria torna-se o mais importante de todos.

O Grupo G é outro que tem um favorito destacado, a Alemanha. Protagonistas de grandes conquistas européias nos últimos tempos, sucumbindo apenas diante dos espanhóis, os alemães devem fazer uma primeira fase tranquila e que poderá impulsionar positivamente as fases seguintes. Bem estruturada e com craques renomados, a Alemanha é uma das favoritas da crônica esportiva para a conquista do título. Gana poderá ser a fiel da balança neste grupo. Os ganeses vem com uma seleção experiente, pois a maioria de seus jogadores atuam na França, e poderá complicar Portugal e Estados Unidos. Portugal é demasiadamente dependente de Cristiano Ronaldo e não tem feito boas apresentações, enquanto os Estados Unidos, ao contrário, deram muita atenção à competição e chegam empolgados, sob a competente direção técnica de Klismann. Portugal deverá contar com o apoio dos brasileiros na estréia contra os alemães e só isso poderá dar-lhe gás suficiente para resistir. Já Gana e EUA fazem um primeiro jogo fundamental, pois quem perder estará eliminado.

Finalmente, o Grupo H, onde está a seleção que consideramos será uma das boas surpresas da Copa: a Bélgica. Os belgas, além da excelente campanha classificatória, tem mantido uma qualidade invejável no domíbio de bola, assemelhando-se à tática espanhola. Deverá se classificar no topo desse grupo, deixando o problema da segunda vaga para a Rússia resolver. E não resolverá com facilidade, pois a Rússia tem um ataque carente, de poucos gols, o que a colocará em caminho de pedras contra a Argélia e a Coréia do Sul, embora saibamos que o futebol desta última decresceu ultimamente. Este Grupo deverá ser pobre em gols.

Voltaremos para a fase de oitavas.

Paul Lies